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Neuralgia do Trigêmeo

 

 

A neuralgia trigeminal é o mais conhecido dentre os diversos tipos de dores faciais neuropáticas. Acomete cerca de 25 por 100 mil indivíduos, sendo duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens. Seu pico de incidência é entre os 50-60 anos de vida e a grande maioria dos pacientes apresenta importante acometimento funcional pela doença, muitas vezes impossibilitando o trabalho e as atividades de vida diária.

 

As crises dolorosas são geralmente paroxísticas, ou seja, em ataques. Os episódios costumam ser muito intensos e de curtíssima duração (alguns segundos), mas podem ocorrer centenas de vezes ao dia, geralmente nos mesmos locais da face. A dor costuma ser do tipo “choque” ou “em pontadas” e pode ser desencadeada pelo toque em áreas específicas chamadas “pontos gatilho”, ou em atividades normais como falar e mastigar.

Em até 5% dos casos pode ser bilateral. O acometimento familiar é bastante raro mas já foram reportados casos na literatura científica

 

Umas das formas de se classificar a doença é como Neuralgia trigeminal clássica ou idiopática (sem causa estrutural definida) e Neuralgia secundária (quando há um fator estrutural como compressão por tumores, esclerose múltipla, etc). Em cerca de 15% dos casos é possível identificar uma causa.

 

O diagnóstico é puramente clínico baseado nas características da dor. No entanto, a investigação inicial deve sempre incluir exame de ressonância magnética com objetivo de se afastar causas secundárias. Existem teorias que até hoje causam controvérsias e debates científicos com relação à causa da neuralgia trigeminal idiopática estar relacionada a uma compressão vascular na raiz do nervo trigêmeo. Essa compressão pode ser visualizada em alguns estudos de imagem, contudo não está presente em todos os pacientes, assim como pode existir em pessoas totalmente assintomáticas e que apresentam contato vascular com o nervo em exames de imagem.

 

O tratamento inicial é sempre clínico, com medicações que incluem a Carbamazepina, Baclofeno, Gabapentina, Fenitoína, dentre outras. É importante em alguns casos o acompanhamento multidisciplinar, que pode incluir seguimento odontológico, apoio psicológico, entre outros.

 

A cirurgia é a opção de tratamento os pacientes que não respondem de forma satisfatória ao tratamento medicamentoso ou quando os efeitos colaterais dos medicamentos não são tolerados. Dentre as técnicas mais conhecidas destacam-se a Descompressão Neurovascular, as técnicas percutâneas e Gamma Knife.

 

A descompressão neurovascular apresenta os melhores resultados a longo prazo e com baixíssima incidência de alterações sensitivas permanentes pós procedimento. No entanto é o único método que utiliza técnica cirúrgica aberta.

 

Nas técnicas percutâneas, o procedimento é realizado através de uma agulha inserida do gânglio do nervo trigeminal acometido, sem a necessidade de se abrir o crânio. Através dessa agulha é realizada uma lesão parcial do nervo, seja através da compressão por balão, lesão por radiofrequência ou lesão química por glicerol. A resposta clínica costuma ser imedi

 

ata, com tempo médio de duração menor do que a descompressão neurovascular mas que pode em muitos casos superar os 5 anos livre de crises. A grande desvantagem dos métodos percutâneos de forma geral, assim como da Gamma Knife, é a maior incidência de alterações sensitivas permanentes que podem levar ao surgimento de um novo tipo de dor de difícil tratamento chamado anestesia dolorosa, em que apesar da sensação de dormência na face o paciente pode apresentar dor contínua, em queimação.

 

A técnica com Gamma Knife envolve uso de radiação (como uma radioterapia) e tem a grande vantagem de não necessitar nenhum tipo de acesso invasivo e é indicado principalmente nos pacientes com alto risco de receberem anestesia ou sedação. A lesão é feita pela confluência de feixes de partículas ionizantes numa pequena região do nervo trigêmeo e o resultado clínico é similar ao dos procedimentos percutâneos. Além da desvantagem de ser um procedimento lesivo, traz consigo também os riscos do uso de radiação.

 

A escolha tanto da estratégia medicamentosa quanto cirúrgica deve ser discutida individualmente pois cada caso tem suas peculiaridades e cada paciente tem seus anseios. Quando bem acompanhados a quase totalidade dos pacientes consegue obter melhora significativa na qualidade de vida

 

 

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